Resenha - Mulherzinhas (Little Women)

quarta-feira, março 14, 2018


Mulherzinhas (Little Women), de Louisa May Alcott, é um romance americano clássico, publicado em 1868. O livro é narrado por Josephine e conta a história das irmãs Martch, mostrando-nos como as mulheres se comportavam nessa época, quais eram os estereótipos e como a obra permitiu que eles fossem quebrados.

Título: Mulherzinhas (Little Woman)Autora: Louisa May Alcott
Ano: 2011
Nº de páginas: 287
Editora: Sicidea
Avaliação: ★★★★
Sinopse: Livro clássico para ser lido e guardado. Com ele a avó presentear a neta, a mãe a filha, todos se presentearem mutuamente, amigos a amigos, com essas adoráveis mulheres:
Meg quer casar com um bom homem e formar uma família; Jo gostaria de se tornar numa escritora famosa; Beth conforma-se com ter um piano com o qual deleitar a sua família; e Amy deseja entrar para a alta sociedade. Estas são as irmãs March, quatro raparigas dispostas a converterem-se em mulheres, a descobrirem a responsabilidade e a amizade, o amor e a decepção.
A obra-mestra de Louisa May Alcott é um exemplo incontornável de romance de aprendizagem, um clássico da literatura juvenil lido por todas as gerações. 

Nesse romance semi-biográfico, Alcott nos apresenta quatro meninas apaixonantes: Josephine (Jo), Margaret (Meg), Elizabeth (Beth) e Amy. Essas quatro irmãs são totalmente únicas e têm personalidades fortíssimas. Elas moram a mãe, a Sra. Martch, e o pai delas está na Guerra Civil Americana.

Jo quer ser escritora e é a irmã mais masculina e impulsiva de todas. A autora baseou a si própria na personagem, tornando a obra semi-biográfica, ainda que ela não tenha se casado como Jo faz em Good Wives (a continuação).

Meg é a irmã que mais segue os esterótipos da época. Ela é extremamente ambiciosa, vaidosa e se preocupa muito com o fato de ter de arranjar um marido.

Beth é a irmã mais tranquila, ela não quer ser nada quando crescer, somente uma boa filha que vai morar com os pais e ajudá-los a cuidar da casa, ela vê um enorme prazer nisso. Seu maior talento é tocar piano. Nela temos a imagem da mulher delicada, frágil, casta e do lar.

Amy é a caçula, e o seu desejo para o futuro é ser rica. Ela quer se vestir com roupas caras, comer coisas caras, frequentar eventos da alta sociedade, etc. Ela também é bastante impulsiva, mas isso se dá por conta da sua imaturidade.

As quatro irmãs recebem uma educação muito boa de sua mãe, a Sra. Martch, que já tinha uma visão à frente do seu tempo. Ela diz que não importa se as filhas forem solteiras para sempre, o que importa é que não sejam infelizes (um dos melhores trechos do livro):

(...) — Quero que minhas filhas sejam bonitas, prendadas e boas; que sejam admiradas, amadas e respeitadas; que tenham uma juventude feliz, que se casem bem, sensatamente, e que levem vidas úteis e agradáveis, com um mínimo, se Deus quiser, de preocupações e aborrecimentos para afligi-las. Ser amada e escolhida por um bom homem é a coisa melhor e mais doce que pode acontecer com uma mulher, e espero sinceramente que minhas filhas possam conhecer esta bela experiência. É natural pensar nisso, Meg, é correto esperar por isso, e aconselhável preparar-se nesse sentido de modo que, quando chegar essa ocasião feliz, você possa sentir-se pronta para cumprir seus deveres e digna dessa alegria. Minhas queridas meninas, sou mesmo ambiciosa com relação a vocês, mas não de ver vocês se exibirem em sociedade e se casarem com homens ricos só porque são ricos, ou terem casas esplêndidas que não são lares, porque falta amor. O dinheiro é uma coisa indispensável e preciosa e, quando bem usado, uma coisa nobre. Mas não quero que pensem que é o primeiro ou o único prêmio pelo qual se deve lutar. Prefiro ver vocês casadas com homens pobres, se forem felizes, amadas, se estiverem contentes, a serem rainhas sentadas em tronos, mas sem respeito próprio e sem paz. (...) — Certo, Jo; é melhor serem solteironas felizes do que esposas infelizes, ou meninas com um comportamento reprovável, correndo de um lado para outro atrás de maridos — disse a Sra. March, com um tom decidido. — Não fique preocupada, Meg, a pobreza raramente desencoraja um apaixonado sincero. Algumas das melhores e mais respeitáveis mulheres que conheço foram meninas pobres, mas tão dignas de serem amadas que não se transformaram em velhas solteironas. Por enquanto, deixem essas coisas de lado; tornem este lar feliz, para poderem ajustar-se nos seus próprios lares, se lhes forem oferecidos, e contentes aqui, se não forem. E lembrem-se de uma coisa, minhas meninas: mamãe está sempre pronta para ser a confidente de vocês, e o papai a ser seu amigo; e nós dois confiamos em nossas filhas e esperamos que sejam, casadas ou solteiras, o orgulho e o conforto de nossas vidas. (pg. 119-120)

Com isso, percebe-se que a mãe amava tanto as filhas, que ela não ligava se elas iriam ser pobres ou solteiras no futuro, o que realmente importava era a felicidade delas, acima de tudo. Elas não teriam que seguir padrões, não teriam que se casar com homens ricos e nem nada disso, elas só tinham que correr atrás de ser feliz, porque é para isso que vivemos.

Essa fala da Sra. Martch desconstrói basicamente todos os discursos da época acerca das mulheres, já que elas tinham o estereótipo de mulher prendada (que sabia costurar, cozinhar, cuidar da casa e do marido) e que casa com um marido rico para ser feliz (que satisfizesse todas as suas necessidades financeiras).


Apesar de todo o discurso da mãe, Meg é a única que cede ao casamento ao final da obra, mesmo já tendo dito para todos que iria negar por ele ser muito velho, e por ela não gostar dele. 

Louisa escreveu algo inovador e adequado aos leitores da época: leitores em processo de letramento. Apesar de ser um clássico, o inglês da obra original é extremamente acessível, justamente por conta do público-alvo da época.


Recomendo a leitura para quem está procurando algo tranquilo, que traz mensagens boas e que nos faz lembrar dos nossos objetivos na vida. Além disso, se você gosta de romances que parecem novelas (em inglês a obra é literalmente uma novel), você irá adorar Mulherzinhas! A minha personagem preferida foi a Jo, mas todas elas tem algo a nos ensinar.

E você, já leu Mulherzinhas ou ouviu falar sobre? Gosta de livros com mensagens assim? Comenta aí!

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2 comentários

  1. Amo de paixão! Cresci lendo esse livro e suas continuações... E passei a gostar mais ainda quando soube da atuação de Louisa May Alcott na luta pelos direitos das mulheres!

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