Adeus, infância.
Eu sinto saudade,
Dos banhos de balde.
Eu sinto falta dos brinquedos,
Da minha imaginação de enredos.
Sinto falta da grama alta
Da amoreira no jardim,
Sinto falta de mim.
Sinto falta das horas andando de bicicleta.
Cozinhar matinhos e flores
E chorar em público pelas dores.
Que saudade das bonecas,
Que para mim, eram adultas.
Que saudade da vida
Que eu conseguia dar às pelúcias.
Sinto falta de secar a louça lavada,
Enquanto minha mãe arrumava a cozinha e assobiava.
Assobiava hinos para louvar,
Louvar aquele que eu mal conhecia,
Mas que era o meu outro pai.
Saudade da terra e da lama,
Da água e da cama.
Sinto falta dos desenhos animados,
Que eram, por mim, tão amados.
Imaginava que era um personagem,
Queria ter poderes, salvar o mundo.
Não entendia porque não podia ter,
Mas assim era o mundo,
Era assim que tinha de ser.
Ah, como me dói agora!
Anos atrás eu queria ser adulta,
Mas nesse momento, o que eu não daria,
Para ter novamente aquela vida.
Que saudade de você,
Infância...
Sara Muniz, 2015.
- sábado, maio 16, 2015
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