Você, Escritor! - Comova o leitor!

domingo, março 13, 2016 2 Comentários A+ a-


Oi gente, aqui é a Andy e aproveitando que estou com internet vim escrever esse Post. Enfim, eu acabei de ler a postagem da Sara (hoje, dia 09/03) sobre A narração Ideal. E quando li a postagem dela achei bem interessante, concordei plenamente e se você não leu, vai lá ler, ok? u.u 

E bem, resolvei falar um pouco sobre "comover o leitor". E por que resolvei falar sobre isso? Na realidade eu queria falar sobre o "Como? Quando? Onde? Por quê?" dos livros, mas percebi que seria interessante falar um pouquinho sobre o que a Sara falou no outro post que foi o seguinte:

Se você quer escrever cenas intensas, onde você terá de descrever os sentimentos do personagem como se fosse ele, primeira pessoa é uma boa escolha.

Serei sincera, quando você quer criar cenas intensas demonstrando os sentimentos dos personagens, a primeira pessoa é sim uma boa opção. Porém, uma coisa que eu gosto muito é de ler algo em terceria pessoa e perceber o modo como o autor descreve a emoção dos personagens. Creio que que quando é em terceira pessoa os sentimentos se tornam mais visíveis de certa forma, pois é como se você estivesse observando as um grupo de pessoas se interagindo entre si e demonstrando tudo o que sentem na hora e tem autores que conseguem com maestria fazer o leitor sentir tudo o que aqueles personagens sentem na hora.

Para resumir, a primeira pessoa é uma boa opção, sim. Mas a terceira também é.

Algo que sempre gostei foi descrever os sentimentos dos personagens, e algo que aprendi é que você tem que se imaginar na posição dos personagens. Como eles reagiriam? O que aconteceria? Que tipo de cara eles fariam? 

Farei dois exemplos aqui.

Exemplo 1 - Primeira pessoa:

"Eu não conseguia acreditar! Bem diante de meus olhos Carlos e Renata estavam de mãos dadas, caminhando alegremente, enquanto eu os observo de boca aberta, abismada. Aquilo não poderia ser verdade, pensei repetidas vezes apressando o passo pelo lado oposto da rua enquanto a chuva se iniciava. Comecei a sentir lágrimas escorrerem pelos meus olhos, tampei a boca com a mão e ao perceber que a chuva iria piorar, me esconde debaixo de um toldo.
Recostei-me á parede e então solucei em silêncio sentindo meu coração se quebrar em mil pedaços como se um maldito cupido do mal tivesse me acertado com a sua maldita marreta.
Oh, como eu me sentia miserável no momento."

Não sei se foi tão convincente assim, eu admito. Nunca foi o meu forte primeira pessoa, mas eu to trabalhando nisso, pois não posso escrever somente em terceira pessoa desde que há momentos que sinto a necessidade de escrever em primeira... Mas, bem, agora iremos para a terceira pessoa desse mesmo trecho que apresentei acima!

Exemplo 2 - Terceira pessoa:

"Marina não conseguia acreditar no que via. Bem diante de seus olhos encontravam-se seus melhores amigos no mundo, Carlos e Renata de mãos dadas. Foi um choque no início, vendo-os rindo tão felizes quase como se fossem um casal. Ela engoliu em seco, mesmo boquiaberta com aquilo, fechou os olhos não querendo aceitar a realidade. Aquilo não poderia ser verdade, pensou repetidas vezes virando-se e andando apressadamente pelo lado oposto do casal. Marina sentia seu coração doer enquanto lágrimas quentes surgiam em sua face, escorrendo pela sua pele enquanto a chuva que outrora se deu inicio piorava. Chegou um momento que se cansou e resolveu se esconder em um toldo.
Recostando-se á parede, observou a chuva. Ela estava encharcada, soluçando, com a mão tampando a boca. Sentia-se uma miserável naquele momento, com o coração em frangalhos só de imaginar que o garoto que ela sempre amou estava com a sua melhor amiga que repentinamente parecia querer vê-la no fundo do poço.
E, no fim, tudo o que pôde fazer foi chorar e chorar. Seu peito doía. Suas pernas tremiam. Seu corpo estava molhada e ela tremia de frio. E, acima de tudo, amaldiçoava o maldito cupido que a fez se apaixonar e depois quebrou totalmente o seu coração."

Assim, eu não sei se vocês sentiram algo ao lerem esses dois parágrafos, serei sincera. Mas, acho que independentemente se é Primeira ou Terceira pessoa, todo autor deve saber como emocionar o leitor, não apenas demonstrando o quão arrasado o personagem estava no momento, saber demonstrar a felicidade, a raiva, remorso, culpa, tudo isso. E algo que aprendi nesses anos é que os personagens devem mostrar quão intenso são seus sentimentos. Se ele está feliz e o autor diz "ela está sorrindo", dá a impressão de que a felicidade é algo comum, que é algo que ela até que gosta.

Só que quando o autor põe algo como "ela sorriu como uma criança que acabou de ganhar um presente de natal. Seus olhos brilharam em expectativa enquanto ouvia com atenção o que iria fazer daqui pra frente". Isso dá um ar de que ela realmente estava contente com o que está acontecendo, mas isso depende do momento, lógico e do que está acontecendo. 

Basicamente, a minha dica é que quando escreverem não importa se é terceira ou primeira pessoa, saibam transmitir o sentimento do personagem! Não criem situações que façam tudo parecer muito artificial, ás vezes lemos algo que parece tão intenso, mas o personagem ao transmitir o que sentia parecia mais um fantoche sem vida que não rola, simples assim. Você não consegue se identificar com o personagem, ou pensa que é surreal demais o modo como ele está agindo e não consegue sentir pena, felicidade, nenhum sentimento por aquela pessoa e não é legal quando isso acontece, não acham?

E bem, é isso! Minha dica é essa, que vocês escrevam como se fossem o personagem ou imaginando como eles agiriam de acordo com as personalidades deles e transmitir de uma forma que o leitor sinta tudo isso (para ser sincera já cheguei a ser xingada vez o outra por ter deixado um povo muito sentimental rsrs), que é algo que acho importantíssimo para todo mundo que for escrever, transmitir, se identificar e ferrar com o heart dos leitores.

É isso. Até a próxima!

Sara Muniz, dona do blog Interesses Sutis, sou apaixonada por ler, escrever e criar. Adoro música erudita, rock, pop, música francesa e de vez em quando até uma musiquinha indiana para dar uma animada! Preciso ver artes plásticas para me inspirar a escrever. Meus autores preferidos são Patrick Rothfuss, J.R.R. Tolkien, Brandon Sanderson, Jostein Gaarder e Khaled Hosseini (nessa ordem). Amo cantar e desenhar - mesmo fazendo ambas as coisas mal -, sou fissurada por cachorros e todos são "bebês fofinhos" para mim. Às vezes, eu acho o mundo lindo, outras vezes eu acho que a colisão de um meteóro com a Terra seria a salvação. Saiba mais sobre mim na página "About"!

2 comentários

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Sara
AUTHOR
13 de março de 2016 09:04 delete

Dri, concordo plenamente! Ser "profundo" é fundamental para que a escrita não seja superficial, principalmente na hora de transmitir o sentimento de um personagem. Existem escritores que conseguem fazer isso com maestria na terceira pessoa e, outros, que fazem isso com maestria em primeira pessoa SHASUUHAS... Vai entender... O jeito é praticar mesmo e decidir qual narração fica melhor para o livro que vc está escrevendo e é isso aí haha

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Andy
AUTHOR
15 de março de 2016 12:48 delete

Pois é, Sara! Não importa quão foda seja o livro, se os personagens não convencem na hora de abrir seus sentimentos ao leitor... De nada vale rsrs (ao menos é o que eu acho.)
Yep, praticar e praticar até seus dedos estalarem ~ é a base de tudo ~

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