Resenha - Carta ao Pai

domingo, dezembro 11, 2016



Sinopse: A Carta ao pai é uma peça fascinante da obra de Franz Kafka. Dificilmente algum filho pôde escrever ao pai carta mais pungente do que esta. Nela o grande escritor realiza um ajuste de contas memorável com o tirano familiar Hermann Kafka. O móvel do confronto é uma tentativa de casamento do filho que o pai desaprova, mas o texto abrange toda a relação entre ambos, num ritmo dolorosamente ágil. Como sempre, a capacidade de análise e argumentação do escritor surpreende. Aqui ela transforma uma carta em documento perene da literatura universal. 

Resenha
Carta ao Pai foi escrito em 1919, por Franz Kafka, mas só foi publicado em 1953, anos depois de sua morte. Nessa carta de muitas páginas, Franz tenta acertar as contas com o seu pai, que para Franz, fora o culpado de ele ser como era.

Kafka literalmente escreve uma carta dizendo ao seu pai, Hermann Kafka, tudo o que o desapontava em seu pai e como ele era culpado por Franz ter se tornado uma pessoa tímida, reprimida, fraca, quieta e cheia de medos. Ele diz como seu pai era tirano, que era intolerante, incompreensivo, mal e cheio de ódio, principalmente pelo filho. Critica a maneira de educar do pai, dizendo que ele era muito rígido e que seus métodos de educação o deixaram cheio de traumas e que, por conta disso, ele aprendeu a ver o mundo do modo do pai, e a última coisa que ele queria, era ver o mundo por tal perspectiva. 

"O que vinha à mesa precisava ser comido, não era permitido falar sobre a qualidade da comida - mas você frequentemente achava a comida intragável; chamava-a de 'grude', a 'besta' (a cozinheira) a tinha estragado. Como você por natureza tinha um apetite vigoroso e uma predileção especial por comer tudo rápido, quente e em grandes bocados, o filho tinha de se apressar, reinava à mesa um silêncio sombrio, interrompido por admoestações: 'Primeiro coma, depois fale', ou 'Mais depressa, mais depressa', ou 'Veja: já terminei de comer faz muito tempo'. Não era permitido partir os ossos com os dentes, mas você podia. O principal era que se cortasse o pão direito, mas o fato que você o fizesse com uma faca pingando molho era indiferente. Era preciso prestar atenção para que não caíssem restos de comida no chão, no final a maioria deles ficava embaixo de você. À mesa não era permitido se ocupar de outra coisa a não ser da refeição, mas você polia e cortava as unhas, apontava o lápis, limpava os ouvidos com o palito de dentes".

Kafka criticava como o pai era hipócrita e não cumpria com as próprias regras que impunha, mais uma vez apontando falhas para a metodologia de educação do pai. Ele deixa claro na carta, como pai mexia com o psicológico dele e, como seu pai provocava nele seus maiores medos e inseguranças. Apesar de criticar tanto seu pai, ainda há momentos em que ele parece amá-lo, dizendo como às vezes ele parecia dócil dormindo sobre os cotovelos no balcão da loja (ele era comerciante) e como Kafka reconhecia que ele se esforçava de verdade pelos filhos. Kafka reconhecia os esforços de seu pai e que aquela educação que recebeu era uma forma de amor, mas o que ele queria era que seu pai não fosse daquele jeito, porque não havia razão para sê-lo. 

Uma das coisas que mais desapontaram Kafka em relação ao seu pai, foi quando seu pai desaprovou seu terceiro casamento, pois Franz queria se casar com uma moça de classe social inferior, rendendo muito ressentimento ao filho.


Avaliei esse livro como excelente porque é diferente de tudo o que eu já li antes. Nunca havia visto uma carta particular de um escritor, ainda mais como o Kafka. Todos nós temos problemas com os nossos pais, mas sempre acabamos por reconhecer vez ou outra que tais atitudes deles são para o nosso bem, por mais que às vezes o temperamento deles possa ser difícil. Eu não tenho muitos problemas com os meus pais, eu os amo de verdade, mas conheço pessoas que tem tantos problemas com os pais, que eu sequer consigo imaginar como seja de fato, porque eu não vivencio essa realidade. Mas, voltando ao livro, é uma carta em que você fica o tempo todo pensando "Caramba, ele realmente quer dizer isso ao pai dele?", porque Franz está realmente deixando "os pratos limpos" com o pai dele, é sincero, pessoal e instigante. Ao mesmo tempo em que eu pensava como Hermann era mal, eu também pensava que ele fazia aquilo por amor. Se era um ou outro, não saberemos de verdade, porque não vivenciamos a realidade que Kafka vivenciava todos os dias ao lado de seu pai, mas dá para ter uma boa ideia.

E você, já leu Carta ao Pai? Já leu algo de Kafka? Comenta aí!

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